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Como definir, então, o fenômeno Herculano Pires, passados trinta anos de sua volta ao plano do espírito? Eu diria que se trata da síntese perfeita de um pensamento filosófico singularmente engajado e essencialmente fecundo, aliado a uma genuína autoridade cultural e espiritual. Estou convencido de que só uma urgente valorização superlativa da obra piresiana é capaz de promover o encontro efetivo do movimento espírita com seus melhores destinos, a despeito dos dignos esforços que foram encetados até aqui; os mediúnicos, inclusive.
O desenvolvimento real da doutrina espírita, como dizia Herculano, se dá fundamentalmente em termos de pesquisa científica e de reflexão filosófica, e não apenas mediante revelações espirituais. Ao oposto das obtidas por Kardec no século 19, muitas “revelações” de nosso tempo quase sempre têm hesitado em submeter-se ao crivo de razão mais severa. Geralmente protegidas por supostas lições de uma moral que sempre se esquiva na antessala da hipocrisia, terminam pulverizando qualquer possibilidade de crítica no sentido substantivo da palavra: análise. Isso não guarda identidade com o Espiritismo nem com a sua proposta de fé raciocinada; constitui antes um campo fértil aos oportunistas e mistificadores encarnados e desencarnados.
Substancialmente, a grande e definitiva intenção de J. Herculano Pires foi reaviar-nos para a estrada segura pela qual Kardec nos conduziu um dia, sob os diretos auspícios do Espírito de Verdade. (Sergio F. Aleixo, cap. 1.)