Sergio Fernandes Aleixo

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O Espírito das Revelações

Fundamentos da Relação entre o Espiritismo e o Cristianismo do Cristo
Fundamentos da Relação entre o Espiritismo e o Cristianismo do Cristo

INTRÓITO


UM ÚNICO CISMA


Nesta era, caracterizada pela supressão das distâncias, é imperioso que o espiritismo, rede de informações precisas e cujas razões se justificam pela mais rigorosa lógica, seja veiculado na inteireza de sua estrutura conceitual: ciência, filosofia e religião; sem, todavia, os prejuízos da precipitação e da inconstância, que tanto, infelizmente, hão caracterizado sua propaganda ‘doutrinária’.

Há muito estamos empenhado na divulgação do espiritismo. Ao longo de todos estes anos, em meio à diversidade dos assuntos que havemos tratado mediante palestras e escritos, um deles tem-nos acompanhado sem intermitência, pela transversalidade mesma que o distingue dos demais temas espíritas: a relação entre o espiritismo e o cristianismo do Cristo.

Nestes mais de cento e quarenta anos de movimento espírita no mundo, apenas um único cisma houve, resultante de lamentável inobservância da codificação kardeciana, obra monumental e irrepreensível, em que ocorre a tão perseguida aliança entre a ciência e a religião.

Os posicionamentos pseudo-espíritas, causadores do referido cisma, oscilam entre o religiosismo e o cientificismo. O primeiro, implementado de todos os residuais míticos, místicos e até mágicos do passado ancestral, desnatura as relações da doutrina espírita com as demais doutrinas espiritualistas, sobretudo, as relações do espiritismo com o cristianismo do Cristo. O segundo, espécie de reação àquele primeiro, atormentado por inquietações típicas de uma história materialista da ciência, concebe a proposta de um espiritismo laico, isto é, sem qualquer conotação religiosa.

Ante esses equívocos manifestos, a solução para o evidente cisma encontra-se na observância rigorosa da integridade conceitual do programa kardeciano, reconhecendo para tanto, contudo, que apenas uma perfeita compreensão das relações entre o espiritismo e as demais doutrinas, principalmente o cristianismo do Cristo, pode reaviar o movimento espírita para a estrada segura pela qual o gênio lionês um dia o conduziu.

Nunca será demais ressaltar que a condição cristã do espiritismo não se deve a um fator meramente cultural, mas, sobretudo, a um poderoso e determinante fator de ordem espiritual, porquanto, segundo o próprio Allan Kardec, o espiritismo é obra do Cristo. A manifestação desse fator espirítico à cultura humana, pelas vias mesmas do saber elaborado, promovendo, mediante a codificação kardeciana, a aliança entre a ciência e a religião, foi prevista com milênios de antecedência, o que constitui prova inconcussa de um poder de ação rigorosamente programado, cujos alcances, aliás, não encontram precedentes na história das civilizações.

Não se trata de etnocentrismo de nossa parte, de menosprezo a figuras veneráveis como Buda, Lao-Tsé, Crisna e tantos outros. Mas, afinal, que mestre pôde transcender todos os limites de tempo e espaço para fazer cumprir suas promessas de forma tão contundente? Quem se demonstrou condutor máximo de todo um processo de educação, seja nesta dimensão, seja nas demais?...

"Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um rebanho e um pastor. (...) Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. (...) Eu não vos deixarei órfãos; voltarei a vós. (...) Eu tenho ainda muitas coisas que vos dizer, mas vós não as podeis suportar agora. (...) Eu vos disse estas coisas em parábolas. Hora há de vir, entretanto, em que não vos falarei mais em parábolas, mas abertamente vos falarei do Pai".

E eis aí a doutrina espírita!

Dimensionamos neste trabalho as relações do espiritismo com o cristianismo do Cristo em três níveis fundamentais de compreensão: o código ético-moral adotado pela doutrina; o ascendente espiritual revelado por ela; e o projeto de Kardec para o restabelecimento do evangelho de Jesus em sua globalidade.

Baseando-nos exclusivamente em textos kardecianos, nosso objetivo foi tornar explícito, de forma rápida, quase esquemática, que a negação ou mesmo a deturpação das relações do espiritismo com o cristianismo do Cristo representam ferida de morte para a doutrina espírita, não podendo os seus adeptos estudiosos, em plena era da informação, ficar calados ante essas verdadeiras temeridades que hão sido, a modo de venenos letais, inoculadas no corpo quase indefeso de nosso movimento. Kardec será sempre o mais eficaz antídoto contra toda mentira!

SERGIO F. ALEIXO

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Sumário da Obra
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INTRÓITO
Um único cisma

1 - Do código ético-moral adotado pelo Espiritismo

2 - Do ascendente espiritual revelado pelo Espiritismo

3 - Do projeto de Kardec para o Evangelho

APÊNDICE
Dossiê Espírito de Verdade

Bibliografia